Pessoa distinta e refinada. Come com as mãos e se apóia com os pés. Pensa que sabe voar. Sonha em saber sonhar.
Quer só voltar a existir dentro da própria existência.
Come arroz e feijão.
Dorme com olhos fechados.
Ama alguém.
Alguém o ama.
Isso basta.
Informamos que não hospedamos nenhum arquivo protegido pela lei dos direitos do autor em servidor ou na empresa que nos hospeda. O conteúdo de links está disponível na própria internet livremente, apenas disponibilizamos estes links aqui. Não existe qualquer objetivo de obtenção de lucro, sendo o Blog de conteúdo gratuito. Acentuamos que este blog repudia a pirataria sendo o conteúdo aqui presente apenas de divulgação. Incentivamos a aquisição de produtos originais e licenciados.
Partindo
da premissa que nesse mundo extremamente infincado
em crenças absurdas, pessoas com dons super-humanos
existissem, vocês acham que realmente eles,
ao descobrirem seus poderes, sairiam por aí
usando uma cueca em cima da calça ou uma
máscara de morcego?
Se
sua resposta é não, “Corpo
fechado” (Meus Deus, tenha piedade do tradutor
nacional), ou “Inquebrável”,
que é o título original e apropriadíssimo,
vai se tornar o seu filme de super-heróis
preferido logo na primeira tentativa, agora, se
você adorou como metade deste planeta o
excepcional Thriller “O sexto sentido”,
e se deixou levar pela alcunha mística
que a tradução do título
carrega, meu amigo, desculpe, mas seu dinheiro
nunca foi tão mal gasto.
E
foi isto que, infelizmente, aconteceu. Muita pessoas,
que naturalmente esperavam uma espécie
de ‘O sexto sentido 2’ (o que será
que o menino veria?, animais mortos?), saíram
naturalmente decepcionadas no final da sessão.
Mas
o filme é sim, muito bom. Parte da natureza
básica dos antigos heróis, e conta
que sempre existe um peso contrário entre
o bem e o mal. David Dunn (encarnado pelo mais
uma vez ótimo Bruce willis) acorda todas
as manhas e não vê um sentido para
sua vida; marido de um casamento falido, pai ausente,
nada parecia ir bem em sua patética e infeliz
vidinha suburbana, até que algo acontece,
e David conhece Elijah Price (Samuel L. Jackson),
um homem que, devido a uma rara doença
óssea, que o torna frágil como vidro,
viveu metade da sua vida enfurnado em revistas
em quadrinhos e teorias sobre a vida que lhe foi
concebia; a de que se existe alguém frágil
como ele, deve existir alguém invencível,
‘inquebrável’, enfim. Determinado
a provar essa teoria, Elijah passa a perseguir
David, até que somos apresentados a uma
das melhores e mais bem boladas origens de um
herói já mostrada no cinema.
Sim,
‘super-herói’, não me
venham com preconceitos, poucos sabem que HQ é
sim uma fonte de criatividade extremamente importante
para o cinema, só que muito mal representada
nela. Talvez, os melhores filmes sobre heróis
não trazem, exatamente, heróis de
quadrinhos. Assim foi com “Matrix”,
e é assim com “Corpo fechado”.
Assista de mente aberta. Preferencialmente, sem
medo de ver pessoas mortas (se é que vocês
me entendem).
"O
Fabuloso Destine De Amélie Poulain"
("Le
Fabuleux Destin d'Amélie Poulain")
França - 2001
Com
uma habilidade absurda, Jean Pierre Jeunet nos
apresenta ‘Amélie’, uma jovem
problemática, estranha, porém doce,
sonhadora e decidida a trazer felicidade a pessoas
tão diferentes quanto um velho rabugento
á uma dona de casa desamada.
Uma
fábula leve, mas com diálogos e,
principalmente, situações surreais.
Amélie não teve uma infância
normal, não tem uma vida normal, mas é
a mais normal das pessoas a sua volta, talvez,
a que mais acordada está.
Não,
o filme passa longe de ser triste, muito pelo
contrário, a sensação de
leveza que eu sai após a sessão
quase me fez lembrar de “Forrest Gump”.
Á francesa é claro...
E
nesse quesito é que mora a grande e verdadeira
estrela do filme: Jeunet, depois de se decepcionar
com o mercado americano, em “Alien: A ressurreição”,
ele está obcecado a criar o cinema francês
‘pop’, se é que isso um dia
foi imaginado pela terra dos filmes difíceis
e densos emocionalmente.
Uma
edição hábil e videocliptica,
as situações, ora hilárias
(a idéia do anãozinho de jardim
viajando, para fazer o pai de Amélie fazer
o mesmo é linda), ora estranhas (bem, o
filme é francês, não é?...),
ora tocantes (a relação entre Amélie
e o Sr. da casa de vidro), parecem saídos
da mente de um David Fincher doce, ou um Danny
Boyle menos intuitivo. Um dos melhores filmes que eu vi na vida...
Alguma
vez na sua vida, você já deu tudo
de sí? O melhor que você pode chegar?
Traduziu seu trabalho, seu esforço numa
coisa que, dando resultado ou não, vai
ficar pra semrpe no seu coração
como o seu ápice pessol?
Um ex-balconista de vídeo
locadora que, num sonho de cinderella, virou o
cineasta 'nirvana', ou seja, aquele que colocou
o dedo 'alternativo' no mainstream, com classe,
integridade e inteligência, conseguiu esse
feito épico.
Depois
de sua estréia como diretor, com o cultuado
e sanguinário 'Cães de aluguel',
em 1992, Quentin Tarantino, o nome em questão,
passeou pelo sucesso total e o reconhecimento,
alcançado no inigualável 'Pulp Fiction',
de 1994, e pelo provável enterro de seu
nome, no injustiçado 'Jackie Brown', de
1998. Onde mesmo não conseguindo o resultado
esperado dado o valor do elenco, ele foi melhor
que todas as suas contrapartes espalhadas por
aí.
Sua
influência foi sentida nos quatro cantos
do cinema ('Jogos, trapaças e dois canos
fumengantes', 'Regras da atração',
'Amnésia', 'Clube da luta', só pra
citar alguns), e a única notícia
que tinhamos de seu nome era, na verdade, outro
nome; 'Kill Bill', definido por vários
extremos, e todos estranhos; Western italianão
espagueti, trasnposição de animé,
tradicional filme de kung fu, estilo 'Poltrona
R' (lembram?), até a tradicional trama
'tarantinesca' de vai e volta no roteiro, com
atores renomados alugando seus serviços
por prestígio.
Então,
de 'bloqueio criativo' (que muitos disseram que
ele estava passando) até uma saga dividida
em dois capítulos picotada e editad milhares
de vezes, o que se passa na cabeça desse
cara?
Agora,
depois de meses de atraso, somos presenteados
com a primeira parte de 'Kill Bill' e, para que
todas as metralhadoras apontadas para ele sejam
abaixadas, temos nada mais nada menos que a obra
prima de um diretor no ápice de sua criatividade.
É
melhor que 'Pulp Fiction'? Não. Mas é
diferente, e por isso, é tão bom
quanto.
Já
na introdução, a aula de cinema
trash começa. Numa seqüencia pesada
e densa, vemos o começo do suplício
e da saga de Uma Thurman, ou d'a 'Noiva', personagem
escrito por Quentin especialmente para ela (tão
especialmente, que é até compartilhada
nos créditos), uma assassina profissional,
que sem motivo aparente nesse primeiro capítulo,
é traída por seu chefe, o Bill do
título, e é praticamente morta por
seus antigos parceiros. Ao som de 'Bang Bang (you
shoot me down)', na voz de Nancy Sinatra, já
sentimos o gosto do diretor. O caldeirão
pop começa.
Voltando
á vida depois de quatro anos em coma, Thurman
(que em nehum momento tem seu nome revelado no
filme), parte para a vingança contra sua
ex-equipe, e vai eliminando um por um até
chegar em Bill, seu ex-amante além de chefe.
Ponto.
A história é essa. 'Só isso?',
você deve falar. Mas a história é
o menos importante, o que surpreende em se tratanto
de um filme com dois capítulos, que tendem
a serem enfadonhos quando se tem pouco o que dizer
(não é Peter 'LOTR' Jackson?). O
mais importante é a narrativa, o clima
e as referências pipoca, marca registrada,
e aqui, muito bem aproveitadas pelo diretor.
Começando
por Uma Thurman, linda de doer. Como ela ficou
do jeito que está em 'O
Pagamento', eu não sei. Acho que o
filme era tão ruim que ela se disfarçou,
não é possível. Ela é
o Bruce Lee de Tarantino, sua musa inspiradora.
O liquidificador por onde passam todas as situações.
Numa atuação impecável em
todos os sentidos.
O
filme é surreal até a alma, como
um desenho animado exagerado, bem ao estilo dos
orientais mesmo, com sangue jorrando como se fosse
esguicho, mas não é impressionante;
É engraçado! Divertido mesmo. Ninguém
pode levar á sério, senão,
já entrou pela oprta errada.
A
narrativa é lenta, cativante e, incrivelmente,
fiel ao estilo do diretor. A divisão por
capítulos, a eterna boca suja politicamente
incorreta até a medula e, claro, a trilha
sonora matadora, estão todas aqui. Mas
com um charme e uma ponderação dignas
de elevação de qualidade mesmo.
O cara se entendeu e faz com consciência.
Um baile violento, sanguinolento e fetichista.
Fetichista? Isso mesmo. E como.
Do
sangue escorrendo pelo corpo escultural de Vivica
A. Fox, aos dedos dos pés de Uma Thurman.
Passando por uma assassina cruel vestida como
colegial japonesa, até uma sensual Darryl
Hanna com um tapa-olho (?!?!), o filme transpira
sensualidade kitsch, onde ver mulheres lutando
até a morte nunca foi tão bacana.
Engraçado,
frenético, uma edição ESPETACULAR,
idéias que transpiram criatividade, vigoroso,
bocudo, sacado, sexy, milimétrico... faltam
palavras para definir essa obra prima do novo
milênio.
Olhando
pra trás, ele nos mostra o que é
cinema, sem ser cabeça e sem dar nenhuma
resposta a dor espiritual de ninguém. Mestre...
"Kill
Bill - Volume 2"
Se
no primeiro volume de 'Kill Bill' a audiência
estranhou o diretor Quentin Tarantino pelo sangue
exagerado e pelas várias cenas de ação,
aqui o sentimento vai ser maior. Propagado como
'mais tarantinesco', o segundo volume da saga
da Noiva criada por ele e por sua musa inspiradora
Uma Thurman (ainda mais bela que no primeiro filme)
é mais sentimental, pouco arrojado, porém,
extremamente surpreendente... e claro, espetacular.
Mais
uma vez em capítulos intercalados, o filme
evolui num ritmo constante, crescente, engraçado
e sem nenhum pingo de vergonha das suas origens,
que mais uma vez, estão espostos em carne
viva; filmes de kung-fu chinêses e faroestes
italianões, com closes e músicas
bregas o tempo todo. O cara é a contramão
com estilo...
Diálogos
sensacionais (a teoria sobre o Superman que David
Carradine, o Bill do título, desenvolve
no final do filme é genial!!!), algumas
cenas de luta (a melhor delas entre Uma e Darryl
Hannah, com um final de rolar de rir e de vomitar
de nojento), segredos revelados (como a noiova
ganhou seu treinamento, porquê tentaram
mata-lá, qual a sua relação
real com Bill, onde está sua filha... e
o principal, o seu nome...).
Tudo
regado e conduzido com o sarcasmo e o humor impressionante
de Tarantino, que está afiado e com um
timing pra edição fantástico.
Já pode ficar mais seis anos sem fazer
nada de novo...
"Inteligência Artificial" (A.I., de Steven Spielberg - 2001)
Uma
criança acorda e olha para o mundo. O que
ela vê?
David vê coisas que não foram idealizadas
para ele: uma família feliz? ir à
escola depois do café?
David é a primeira "Inteligência
Artificial Emocional", criada para amar,
vivida (realmente VIVIDA) por Haley Joel Osment
(o menino-idoso). Um filho perfeito, incapaz de
abandonar aqueles que ama, porém, o Homem
pode amar aquilo que não pode subjulgar?
Idealizada
por Stanley Kubrick e realizada por Steven Spielberg,
a idéia é retratar a jornada de
um ser infeliz simplesmente por ter negado o direito
de amar. Nas mãos frias de Kubrick, tudo
seria gélido, feito para você se
sentir incomodado, mas nas mãos de Spielberg
tudo se torna uma bela fantasia.
O filme é mágico, demasiadamente
lento (como a maioria dos filmes de Kubrick),
aristocraticamente feito para você chorar
(graças ao diretor), contém uma
das melhores visões de futuro que já
vi, racionalmente possível.
Como
não chorar? Mesmo se for por causa de Spielberg,
o homem que teria a capacidade de transformar
"2001, Uma Odisséia no Espaço"
em "E.T". Entendeu?
Bem, é claro que para o grande público,
isso não importa, e a obra ficou bela,
tocante e mágica.
David é abandonado pela sua "mãe",
eles não precisam mais dele, do "super
brinquedo". Sua jornada de obsessão
se inicia pelo submundo da humanidade, totalmente
insegura da sua existência, destróem
máquinas para provar sua supremacia, que
entendemos, está prester a acabar.
David vê tudo isso, mas mesmo assim, é
como nós que ele quer ser, os humanos imperfeitos-porém-
adoráveis.
Nas
mãos de Kubrick, seria uma das mais densas
experiências da sua filmografia, porém,
com Spilberg, nos sentimos em "Alice No País
Das Maravilhas". Como um pinóquio
cibernético, David procura pela sua "fada
azul", aquela que ira torná-lo humano,
e, só assim, ele poderá reconquistar
o amor de sua mãe.
Mas,
eu não acredito no amor de David, acredito
na sua incrível capacidade e tenacidade
para ser humano, mas o que ele quer é aceitação
social. Essa é uma das questões
básicas, David é muito mais humano
que aqueles que o rejeitaram, a mente do ser humano
nunca vai ser pura como a dele, e mesmo assim,
é como nós que ele quer ser... ora,
por favor!
...:
“Cidade
de Deus"
:...
Brasil - 2002
Dirigido Por Fernando Meirelles e Kátia Lund
Com: Leandro Firmino Da Hora, Alexandre Rodrigues,
Seu Jorge, Douglas Silva, Phellipe Haagensen, Matheus
nachtergaele e Roberta Rodrigues.
Duração: 130 Min.
Existe
várias formas de nós encararmos 'Cidade
De Deus'; Um relato, um testemunho, uma revolução,
um martírio, um oportunismo.
UM PUTA FILME...
Sim, quer queiram ou não, o filme é
tudo isso, de bom e de ruim, de acertos e tropeços.
Transforma o drama de uma chaga aberta no Brasil há
anos em um veículo videocliptíco das
mazelas, das bondades, das vidas incomuns, como a
de uma pessoa que nasceu presa na sua própria
incapacidade de melhorar, e nas histórias cotidianas
de quem só quer ser alguém na vida.
O ritmo dita a sua emoção. No começo,
com todo tipo de escudo preparado para vermos um filme
violento e sério, somos jogados á uma
história leve, romântica, por demais
engraçada ás vezes. Quando nos acostumamos
com esse ritmo, vemos aquela pobre criança
ranhenta implorando pelo o que não conhece.
Vemos a vida do comparsa do vilão ser tirada
só por ele ser pentelho (e como era...). Onde
está a risada agora?
Da
luz da praia, do primeiro beijo, da primeira transa,
das felicidades com coisas pequenas que se tem quando
não se pode escolher muito, recebemos um cuspe
na cara da guerra sem sentido do tráfico de
drogas, de pessoas boas corrompidas justamente por
serem boas, o terceiro poder mandante. Tudo, mais
tudo mesmo, muito bem feito, com uma paixão,
uma visão, uma garra que nunca...NUNCA... aconteceu
antes na história do cinema Brasileiro.
Alguém lá fora escreveu que esse é
'Os Bons Companheiros' (Filme de Scorcese, sobre a
máfia Italiana em Nova York) do terceiro mundo.
E é. Até mais do que isso.
A
felicidade de Fernando Meirelles e Kátia Lund
na intenção da oficina de atores, selecionando
jovens nas comunidades do Rio de Janeiro, trouxe uma
alma crua, insinuante. O olhar cheio de frustração
de Zé Pequeno (o magistral Leandro Firmino),
a simplicidade de Buscapé (Alexandre Rodrigues),
a malandragem de Dadinho (Douglas Silva). Tudo coeso,
firme, documental. Um tapa na cara e um afago.
O roteiro, baseado no livro homônimo, é
um dos melhores já escritos no Brasil. Suas
reviravoltas, suas tramas paralelas, suas mudanças
de andamento. 'Pulp Fiction' as vezes. Empolga já
na primeira observada. Ninguém sai ileso do
petardo.
Assista uma, duas, três vezes. Em família,
com os amigos, principalmente se não entenderem
nada de cinema. Colha as opiniões e perceba
o quanto o filme calibra o instinto questionador das
pessoas. O quão indignados, porém ao
mesmo tempo leves, saem da sessão. Incompreensívelmente
felizes.
Profundamente tocados.
O melhor filme Brasileiro de todos os tempos.
Alguém se habilita?
Por Márcio Souza...Souza é o caralho
meu nome é Guariba, Porra...
Depois
de um texto introdutório onde a vida é
um cheque sem fundo. Vemos o fundo da vida, e seu
fundamento. Uma piscina de merda, cheia de patinhos
felizes com a comida do dia.
Quando
saiu, em 96, o filme foi a sensação
entre todos os tipos de vertentes. Desde os catedráticos,
discutindo a crueza e a superficialidade que a vida
era mostrada, até, obviamente, os jovens
que, numa onda avassaladora de moda onde 'quanto
mais magro, melhor', se identificaram rapidamente
com a turma de Mark Renton e cia.; A tríade
sexo/drogas/rock and roll aqui é trocada
por frustração/overdose/viagem musical
com a mão seca de Danny Boyle, que com pequenas
metáforas inseridas durante o filme, demonstram
o vazio existencial de uma geração
inteira, abastecida por heroína e desesperança.
Tudo
envolto numa trilha sonora inesquecível,
onde em certos momentos, são presenteadas
com verdadeiros clipes inseridos no meio do filme.
Como na cena antológica de abertura, ao som
de "Lust for Life" de Iggy Pop, ou na
overdose ao som de "Perfect Day", de Lou
Reed. Mesmo durante os momentos mais tristes e pesados,
o clima de interpretação bizarra e
exagerada, da uma cara estranha ao filme, chocando
sem impressionar. É até amendrotador
pensar dessa forma pelo o que vemos, mas esse é
meu filme preferido e eu nunca mergulhei numa privada
atrás da minha felicidade... Enfim, vocês
entendem...
Uma
viagem ácida (opa!!!) pela juventude desiludida,
perdida e esquecida. Amada pelo que um dia foi e
condenada a ser algo que provavelmente á
matará. Perfeito e inesquecível. Entenda
algo que você tem medo. Ou experimente a sensação
'melhor que qualquer orgasmo...'.
"Você
não é a sua conta no banco... Você
não é a sua carteira... Você
não é a roupa que você usa...
Você não é o carro que você
dirige... Nós somos as únicas merdas
que cantam e dançam no mundo!!!"
O
que poderia ser mais apropriado nos dias de hoje,
do que a afirmação que todos os nosso
valores são errados, e que a felicidade pode
estar do outro lado, onde nós, pessoas ocupadas
e 'importantes', não vamos por estarmos todos
conectados a uma mesma 'simulação
neurocinética' chamda 'Mat...', ops... Filme
errado...
Mas,
o que vemos em 'Clube da Luta', nada mais é,
do que a mesma idéia de 'extremidades' mostrada,
obviamente de maneira diferente, em 'Matrix'; A
de que nós estamos no caminho errado, e o
único caminho é o amor. Amor? Pois
é... Aquele mesmo guardado lá embaixo,
como apoio da prateleira da auto-afirmação,
trabalho, ambição, solidão
e ego. Olhe no espelho e diga á sí
mesmo que você é feliz. Depois, peça
a conta e veja a porcentagem do amor. Vê,
estamos todos enrascados, não é?
Com
um elenco estelar e fantástico, o diretor
David Fincher, acelera frenéticamente o ritmo,
jogando na cara do público dividido entre
a estupefação e a incompreensão,
toda a frustração de uma geração,
a dele próprio. Yuppies engravatados dos
anos oitenta, com seu apartamento, suas contas e
sua solidão. Num trabalho de edição
vigorosa, sensacionalista e violenta...
VIOLÊNCIA.
Essa é a palavra preferida de muitos hoje
em dia, e foi a palavra mais usada para opinar sobre
o filme. E ele é violento? É. Muito.
Mas, o que é violência pra você?
Ahh... Essa é a pergunta, não...
O
filme é o encalhe mais cult da década
passada. Obviamente, esquecido por incompreensão.
Olhar o própiro umbigo dá torcicolo
e faz mal á coluna, não é?
Pois é... Abra o coração para
o pontapé. Cuspa pra cima e espere cair na
testa. Engula a verdade e não enfie o dedo
na goela pra vomitar de volta. Respire o sangue...
Transe com amor, beije seu filho, abrace seu amigo,
agradeça seu pai... Isso é o clube
da luta. Isso é o clube da vida.
Depois do colorido final de semana, com o verdadeiro 'Comic Book Movie' da Marvel, ontem a noite saiu o novo trailer de "The Dark Knight Rises", terceiro e último capítulo da saga do Homem Morcego dirigido por Christopher Nolan. A diferença é tão grande que até parecem água e óleo...
Ir assistir a um filme dos estúdios Marvel hoje em dia é um evento; Do nerd fanático, passando pelo antenado até um cidadão comum em busca de entretenimento, todos querem um pedaço desse universo iniciado lá nos idos dos anos sessenta.
E que bom! Já que apesar de várias concessões, se há uma coisa que as adaptações da Casa das Idéias não são é descerebrados. Desde o primeiro filme do Homem de Ferro, em 2008, a idéia de dar um pouco de diversão inteligente vem acompanhando todos os filmes que vieram a seguir, mesmo quando o sucesso não veio de forma tão intensa, como em "O Incrível Hulk" e "Thor".
Mas, como todos sabem, todos eles foram construíndo um cenário maior, para culminar este ano com a estréia do supergrupo da editora, Os Vingadores.
Sempre lembrados como a "Liga da Justiça da Marvel", desta vez, a propabilidade de a Liga se tornar um "Vingadores da DC" é bem provável, já que a editora concorrente e seu estúdio responsável, a Warner, se mostram incapazes e sem material-base nas mãos para um filme tão interessante e divertido.
(Nerd Dreams)
E se na mencionada primeira empreitada do estúdio, Robert Downey Jr. foi até certo ponto corajoso em emprestar as suas reconhecidíssimas habilidades como ator para uma papel de super-herói no cinema, hoje, Hollywood sai tapa por uma ponta. E apostando em caras novas, tanto na frente da tela quanto detrás dela, que a Marvel acertou em cheio.
Os filmes que construiram o universo da editora no cinema não empolgaram tanto quanto a estréia; Tudo parecia bem feito, porém descartável. O medo de que este novo lançamento seguisse essa linha era grande, ainda mais quando Joss Whedon, mais conhecido pelo seu trabalho como roteirista das HQ's da editora do que pelo seu trabalho na TV e no cinema, foi lançado como diretor. Mas a sua nerdice, junto com um cast que pegou o espírito de como agradar gregos e troianos e confiança dos produtores garantiu o melhor trabalho do estúdio até aqui.
O filme não é ação frenética do começo ao fim; A história se desenvolve tranquilamente e com uma amarração perfeita. Os personagens conseguem seu espaço com saídas espertíssimas (como, por exemplo, a utilização do Gavião Arqueiro na primeira parte do filme), deixando todo mundo com espaço de sobras para cenas de ação, diálogos importantes para a trama e momentos cômicos que não deixam em nenhum momento o espectador constrangido. Sim! É como se um verdadeiro 'gibi' ganhasse vida. E não pense que só Downey Jr. fica dos as tiradas; O momentos mais engraçados do filme ficam, pasmem, com o Hulk! Que aliás, finalmente como coadjuvante, conseguiu roubar a cena de um longa mesmo já tendo dois dedicados a sí próprio.
(Hulk; O rei das piadas)
Não há momentos dispensáveis nas duas horas e vinte de projeção. Tudo se conecta e ainda por cima consegue deixar em aberto todos os próximos filmes da editora, que já engatilhou uma terceira parte do Homem de Ferro e a segunda do Thor para o ano que vem, que devem estar diretamente conectadas com o final deste, e a segunda parte do Capitão América para 2014. Fora que um spin-off da dupla Viúva Negra e Gavião Arqueiro (ou, a parte 'Matrix' do filme) seria sensacional.
Senti um pouco de falta de 'Easter Eggs', ou detalhes escondidos, durante o filme. Tirando uma menção a Wakanda (terra de um dos personagens mais legais da editora, o Pantera Negra) no mapa no porta aviões da Shield e ao final, quando vemos que Thanos, vilão cósmico da editora, está por trás de tudo, não vimos nenhum outro dar as caras.
"Melhor filme baseado em quadrinhos"? Não. Esse título, ainda está com "O Cavaleiro das Trevas". Mas 'Melhor de filme DE quadrinhos", já que aqui o heroísmo tradicionalista, cores berrantes, quebra paus desnecessários entre heróis e gags cômicas preenchem o papo cabeça, "Os Vingadores" já ganharam com louvor. É um orgasmo infanto-juvenil dos trintões ver Thor e Capitão América lutando juntos, ou as poses do grupo reunido... Meu sorriso estava sempre de orelha á orelha...
Roteiro de Larry McMurtry, baseado no conto de E. Annie Proulx.
Com Heath Ledger, Jake Gyllenhall, Anne Hathaway e Michelle Willians.
Duração: 134 minutos
Não quero fazer um resenha desse filme tendo que explicar o seu teor homossexual. Ficar naquele lenga-lenga de 'fuja do rótulo de faroeste gay' blá blá blá. Quero só falar de um PUTA filme que eu assisti...
A história de AMOR que Ang Lee conta aqui é uma das mais cortantes de todos os tempos. Tão detonadora de corações quanto 'As pontes de Madison', por exemplo. Tão trágica quanto 'As lendas da paixão' (passando longe da cafonice da mesma, diga-se também). Uma história de amor para os 'machos' de coração (desculpem, não gosto de perder a piada...).
Ennis Del Mar e Jack Twist são dois pobretões que enfrentam o dia-a-dia de pequenos bicos até se encontrarem num trabalho na montanha do título. Inicialmente, vemos um gay querendo sair do armário, e um cara com infância sofrida, introspecto. Não por acaso, tem o nome de 'Ilha do mar'. Um cara que não fala por ter se acostumado a não ter ninguém á sua volta.
Num rompante, os dois se apaixonam. E se por um breve momento achamos que tudo aquilo é só 'fogo no rabo' (desculpem, novamente), acabamos por ver uma vida de privações, de mentiras, de imposições... Tudo por causa daquele amor que desceu a montanha.
A edição, felícissíma por sinal, coloca a passagem do tempo (vinte anos, á saber) de modo que não a percebamos. Assistimos as vidas sendo cortada aos poucos. Se temos as paisagens lindas e abertas no começo, mostrando o mundo de possibilidades que os dois vivem, da abertura da cabeça de cada um, no final assistimos ao homem-ilha, trancado no seu pequeno trailer, remoendo o que não teve coragem de fazer.
Um história que fala de amor com coragem. Poderíamos muito bem ter um casal 'rico/pobre', ou 'branco/negro'... Mas se esse é mais um tabú, vamos lá derrubá-lo. Tudo é primoroso. E tudo é contestador sem querer ser. Da cena de sexo masculinamente intensa, ao beijo de reconciliação. Das brigas 'marido/mulher' ao final. Esquece-se que estamos vendo dois homens na tela (heterossexuais na vida real, diga-se). E dois dignos de Oscar.
Se o preconceito te abala, não vá ver. Você não merece.
"21 Gramas" ("21 Grams") EUA - 2003 Dirigido Por Alejandro González Inãrritu Roteiro De Guillermo Arriaga Com Sean Penn, Benício Del Toro, Naomi Watts e Charllotte Gainsbourg. Duração: 125 minutos
Quanto pesa a culpa?
Essa é a pergunta do filme.
E a culpa através do morte e do renascimento? Essa sim, faz a diferença...
É assim, nesse amontoado de paradigmas, que o segundo filme de Alejandro Inãrritu ("Amores Brutos"), consegue impressionar. Assim como a sua edição não linear, que embaralha, mesmo que desnessariamente, a trama simples e triste, transformando tudo numa experiência incrivelmente densa.
Um homem doente, porém abençoado com o amor e a sorte. Uma mulher abençoada com o amor, porém, prestes a perder tudo. E um homem arrependido e infeliz, que não consegue absorver o amor em sua vida de culpa e erros.
Sean Penn, Naomi Watts e Benício Del Toro funcionam como uma jóia rara no filme. Todos estão perfeitos, sempre á um passo da perda total. Poesia de olhares e de sangue. Redenção pela culpa...
Na história, vemos esses três personagens se embaralhando devido a um acidente que: a) vitíma a família de Christina (Watts), deixando seu castelo no chão, b) dá uma nova esperança ao doente Jack (Penn), que espera um doador para o seu coração em frangalhos, e c) tira a esperança e enche de ódio a vida do ex-presidiário Jack (Del Toro), que após sair da prisão, teme á Deus a sua vida e seu destino, e vê no trágico acidente que ele causa, o fim da sua fé.
E é assim, totalmente fragmentado entre o passado, o presente e o futuro. Caminhando pelo o não-linear, que a história é contado. Difícil por cinco minutos, a narrativa picotada é perfeita. Cinema de autor, é verdade, mas louvável e impressionantemente belo. Filmes assim, são os que fazem diferença no final do dia... Repensando e construindo novamente...
Quanto vale a vida, afinal? Dependendo do peso, muito.